O Palácio começou a ser construído em Junho de 1467 por D. Fernando de Almada, sendo propriedade da ilustre família Almada desde o século XV até à aquisição do imóvel, em 1940, pela Direcção Geral da Fazenda Pública. Depois disso, no cumprimento do disposto no Dec-lei n.º 29638, de 30 de Maio de 1939, regulamentou-se a doação do Palácio ao Estado pela Colónia de Portugueses no Brasil; e procedeu-se à criação do Fundo do Palácio da Independência, resultado da subscrição Nacional promovida pela SHIP para aquisição do edifício à família Almada.
Ao passar dos tempos a traça do Palácio conheceu inúmeras alterações, chegando aos nossos dias com planta rectangular centralizada no pátio onde antigamente circulavam as carruagens. No exterior, o edifício surge articulado em duas fachadas rigorosamente concebidas numa quase total depuração de ornamentos. É na fachada principal que se abrem onze janelas de sacada, com molduras em rectângulo, sobranceiras ao grande portal de varandim balaustrado. Ali se destaca, encimado pelas Armas dos Almada, o janelão do andar nobre do Palácio enquadrado por dois festões em perfeita simetria.
Nas obras de restauro de 1940, sob a direcção do Arqt.º Raúl Lino, foi construída, à direita do pátio principal, uma escadaria por onde se chega a um terraço em cujas laterais foram desentaipadas duas portas manuelinas; uma bastante simples, outra mais complexa e interessante. Ao cimo da escadaria surgem as conhecidas chaminés quinhentistas. Formadas por duas pirâmides octogonais de cones facetados, truncadas e coroadas de ameias, embora ligeiramente diferentes entre si mostram-se muito semelhantes às chaminés do Paço Real de Sintra. Além disso constituem um dos vestígios arquitectónicos quinhentistas mais interessantes conservados em Lisboa. Em síntese, o edifício acaba então por revelar uma linguagem estética resultante das intervenções de linhas manuelina e maneirista.
Ainda durante as obras de 1940 foi construído um acesso por escada forrado com azulejos de padrão azul e branco, que, por baixo do corpo central do edifício, conduz a um pátio superior. Deste pátio mais pequeno, situado ao mesmo nível e nas traseiras do andar superior, podem observar-se outras duas portas manuelinas perfeitamente restauradas. No interior merecem destaque os painéis de azulejos barrocos, os de albarradas e os historiados joaninos.
O Palácio está classificado como Monumento Nacional, não só pelo seu valor artístico mas também pela sua tradição histórico-política. Foi aqui que se reuniram, por diversas vezes, os conjurados que conduziram à Restauração da Independência de Portugal em 1640. Almeida Garrett habitou o palácio em 1834 e a primeira comemoração pública da Independência a ter lugar no edifício ocorreu em 1861.
Classificado pela Direcção de Obras Públicas como património nacional, por decreto de 16/06/1910, o Palácio foi entregue à Sociedade Histórica em cerimónia pública realizada na Praça do Comércio em 24 de Novembro de 1940. A posse efectiva aconteceu no dia 1.º de Dezembro, naquele que foi também o Ano dos Centenários.
Em 1983, por despacho do então Secretário de Estado das Finanças, foi determinado que o Palácio fosse cedido na sua totalidade à Sociedade Histórica da Independência de Portugal, considerada a entidade legítima para ocupar o edifício. Foi até elaborado um Auto de Cessão, a título precário e gratuito, incluindo as dependências ocupadas pela Associação dos Deficientes das Forças Armadas, ADFA.
Com a saída da ADFA do imóvel, em 1993, o Palácio da Independência ficou finalmente em posse total e única da SHIP que deu início a obras para instalação de serviços, zonas de exposição e de um museu.
Em 8 de Setembro, de 1995, o Palácio da Independência foi classificado oficialmente como Zona Especial de Protecção através de um Despacho do Subsecretário de Estado da Cultura. Uma Honra. Uma responsabilidade. Hoje e sempre ao serviço de Portugal.



Dom Lourenço José Boaventura de Almada

Dom Álvaro Vaz de Almada

Dom Antão Vaz de Almada

Dom Miguel Vaz de Almada

CRONOLOGIA DO PALÁCIO DA INDEPENDÊNCIA
1467 – D. Fernando d’Almada, 2º Conde d’Abranches compra umas casas nas portas de Santo Antão e dá início à construção do Palácio da Independência.
1640 – Foi numa dependência ao fundo dos jardins, junto à cerca Fernandina, que se realizaram algumas das reuniões dos conjurados na sublevação para a restauração da Independência de Portugal (1º de Dezembro de 1640).
1713 – É concedido o aforamento a D. Lourenço e as obras de remodelação e ampliação começam a ser executadas.
1755 – Tendo o Palácio da Independência sofrido poucos danos com o terramoto de 1755 é local de recolha dos enfermos do Hospital de Todos-os-Santos.
1756 – Por ordem do Marquês de Pombal instala-se o Arquivo do Senado da Câmara e, um ano mais tarde, dá-se a transferência da Junta do Depósito Público para o Palácio.
1758/66 – Serve de sede do Senado Municipal.
1758 – Também aqui vai funcionar o Tribunal da Relação chegando o Largo de S. Domingos, a ser chamado de Largo da Relação até 1809.
1774 – Com o retorno da Família Almada embelezam-se os jardins com a colocação de um tripítico de azulejos comemorativos da Restauração.
1833 – Antes do saque efectuado pelas tropas liberais a família Almada retira-se. Um ano depois Almeida Garrett habita o Palácio por curto espaço de tempo.
1835 – É levantado o sequestro do imóvel.
1866/76 – Instala-se o Liceu Francês e o Quartel-general da 1ª Divisão.
1877 – Parte do imóvel é arrendado à então Comissão Central 1º de Dezembro. Promove-se a primeira comemoração pública da Independência de Portugal.
1890 – Dependências da Direcção Geral da Agricultura.
1922 – É apresentado ao Senado um projecto lei no sentido do imóvel ser considerado Monumento Nacional e adquirido à Família Almada.
1924/1938 – O palácio é sucessivamente alugado a várias entidades e famílias carenciadas. (Café Comercial, barbearia A Paulista, Guerreiro Gala Cia e Cooperativa Auto – mecânica); a área dos jardins é ocupada por um edifício que albergava a transformadora eléctrica das Companhias Reunidas do Gás e Electricidade.
1929 – Iniciam-se as primeiras campanhas para angariação de fundos para a compra do palácio.
1935 – Junta-se a esta iniciativa a Colónia Portuguesa no Brasil.
1939 – Em Maio, e por decreto, é autorizada a aquisição do Palácio pela Direcção-Geral da Fazenda Pública para a Colónia Portuguesa do Brasil e, posteriormente, doado ao Estado, devendo aí funcionar um Museu e uma Biblioteca.
1940– Dão-se inicio às grandes obras de remodelação sob orientação de Raul Lino.
O Palácio da Independência passa a ser sede da Mocidade Portuguesa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
1975/93 – Instala-se a ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
Com a saída da ADFA o edifício fica na posse total da SHIP e por despacho é determinada toda a zona envolvente de “especial de protecção”.
Brasão d´armas da família Almada
Brasão d’Armas da Familia Almada
As armas dos Almadas, tal como dos Abranches, são:
- Em campo de ouro, uma banda de azul carregada de duas cruzes de ouro abertas e floreadas, vazias da banda, e nos vãos em contrabanda duas águias vermelhas armadas de negro,[5] membradas de ouro.
Timbre: uma das águias armada e membrada de ouro.
Podemos observar ao nível do 1º andar, ao centro, um portal rectangular com varanda de balaústres acantonados por pilaretes decorados com palmas, os laterais sustentando urnas floridas, e encimada por pedra de armas dos Almadas e Abranches *1 envolta por cartela de onde pendem grinaldas tendo superiormente concha com águia estendida; remate em cornija.
No artigo no jornal “A Opinião” de 19 de abril de 1906, assinado F.N. de B., intitulado «A Família do 1.º Conde de Avranches – Os Almadas», diz-se: Dentre os que partilham a opinião de que seria inglês o progenitor dos Almadas, há alguns, que para reforçarem essa ideia, vão encontrar a semelhança das armas desta família e dos Howard, representados pelos Duques de Norfolk, a prova do que afirmam, visto essas armas serem em campo vermelho com uma banda de ouro entre cruzes floreteadas de prata. O facto de a diferença das cores das duas armas e acrescentamento de peças, não obsta a que a família seja a mesma, pois desta forma, se destingiram antigamente as armas nos diferentes ramos da mesma casa.

